sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ventania

  


    V  oraz, veloz, força transcendente violeta, transmutando
    E  xortando inspirado, poeira acumulada, aspirando
    N o reflexo pungente de corpos amedrontados, pairando
    T alentoso leve sopro, velhas feridas amargas, curando
    A ssim, sucinto, viril, suntuoso, novo começo, incitando
   avio em alto mar, proa, popa, haste, capitão velejando
    I ncessante astucioso ventar de sabedoria, palpitando
   gora, outrora, ruidoso, brando passa assoviando. 

"Se um homem não sabe a que ponto se dirige, nenhum vento lhe será favorável"


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Mudança



Mudança de rumo
Mudando a direção
Mudar; aceito assumo
Segurança firmeza decisão

Mudança bambeia balança
Mudar; desordem que se Inicia
Mudando de ritmo velha dança
Passo compasso enredo melodia

Mudança reforma íntima anunciada
Mudando conceitos padrões estabelecidos
Mudar; nada fácil pássaro revoada
Buscar viver conhecer ... Desconhecido

Mudança verdadeira em senda de luz
Mudar; reconhecer-se, assumir-se em poder
Mudando comando seu caminho conduz
Serenidade brilho alma a florescer

Mudar; curar limpar revigorar ... Saúde
Mudando, de dentro ascender ... Paz
Mudança, pleno resplandecer ... Amor
Força integrada, conquistas ... Prosperidade
  

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Amanhecer

 


    A  lvorada ensolarada de luz
    M  anhã em êxtase de brilho reluz
    A  cordando a aurora majestosa
    N  obre, rara, beleza valiosa
    H  oje, agora, o momento a enaltecer
    E  nchendo de esplendor e magia o viver
    C  ontentamento irradia desabrocha em flor
    E  sperança, alegria, cultivada com labor
    R  enasce incessante, fonte infinda de amor.  
    

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Inspiração



Acordar 
Sentir o corpo pulsando  
Em forma de vida...
Sentida vivida...
Sol que se apresenta
Por entre nuvens cheias
Reflexos que se misturam
Às últimas gotas da chuva
Que antecedeu o presente momento
Orvalho cobrindo flores e folhas
Ainda a molhar a terra
Firme , acolhedora, mãe...
Que alimenta de bom grado
Todos os seus filhos
Sem distinção; Raça, religião...
Pássaros voam o encanto da liberdade
Entoam o canto da alegria
O ar em brisa fresca e leve
Completa perfeita harmonia
Poder escolher a direção do próprio caminho
Ouvir a voz da consciência; razão, emoção...
Viver...
Pensar, sentir, existir!
Estar vivo! Aqui, Agora!
Inspiração maior...
Princípio da inspiração!
Nascente, torrente
Dádiva fonte
Viva !
Em inspiração!

    

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Abraço de Lua



Ouço tilintando
Sussurros de encanto
Vibrante aos ouvidos
Sentidos expandidos
Aspira forte o pranto
Abraço de acalanto

Reluzindo sentido
Brilho  perdido
Há muito procurado
Agora encontrado
Acalento sistino
Doce vespertino

Brado de alegria
Entoado alivia
Brisa solta leve a tocar
Onda de amor a flutuar
Pairando no ar, é magia
Destoa extermina agonia

Lua cheia de calma
Ouve os anseios acalma
Busca intensa de encontrar
Conquista tão almejada
Reunir juntar integrar
Pedaços esparsos de uma alma.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Ser Criança


















Estágio ser criança ...
Consciência adormecida
Tempo guarda lembrança
Conquistas e perdas vividas
Agora jaz esquecida
Um sopro de esperança

Memória enternecida
Início de nova dança
Na roda viva da vida
Vive a brincar de ciranda
Passo a passo vida brinca
Cresce caminha avança

Fluir de alegria e leveza
Vive pulsar de natureza
Espontaneidade indelicadeza
Transmitida em rara beleza
Simplicidade é grandeza
Essência de pura pureza

Vive hoje aqui agora
Irritado esperneia e chora
Já passou acabou foi embora
Novo querer nova aurora
Segundo a segundo hora a hora
Passado não volta amanhã demora

Vida menina levada a correr
Criança seja eterna a crescer
Livre em sorrisos a cada alvorecer
Tempo passado corpo a envelhecer
Ciclo concluído fim de entardecer
Alma crescida... Criança torna a ser! 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Melhor



Melhor nasce novo dia
Chance única de recomeçar
Melhor viver de alegria
Reagir sonhar realizar

Melhor é sempre melhor
Sentido puramente positivo
Melhor sorrir amar celebrar
Dádiva divina de estar vivo

Melhor nascer crescer aprender
Na escola vida tudo é lição
Melhor ir além que retroceder
De dentro é que vem a direção

Melhor dar a mão a você
Ficar bem é fazer as pazes contigo
Melhor entender de uma vez
Você sempre será seu melhor amigo

Melhor ficar no seu melhor
Sentir o que vem de dentro
Sem esquecer de olhar ao redor
Integrar-se a esse movimento
Certeza de nunca estar só
Viver a beleza de cada momento

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Dualidade





Reverencio o feminino
Leve frágil sensível sutil
Integrado ao masculino
Forte rijo arrojado viril

Fugindo a estereótipo 
Preconceito cultural 
Ser: Masculino feminino 
Equilíbrio transcendental 

Feminino a intuição 
Traz à luz a direção 
Masculino força ação 
Poder de realização 

Um ser dois lados de vibração 
Motivo e ação gera motivação 
Alavanca de energia em propulsão 
Movimento, vermelho, coração 

Esquenta aumenta é fomento 
Inflar de regozijo e completude 
Integrar duas forças de comando 
Sentir,intuir,fluir;Produzir atitude 

Gratidão velada 
Revelada em amplitude 
Encontro de dois em um 
Completa magnitude 
Favorável conspira o universo 
Grandeza beleza infinitude... 




quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Reverso 'parte final'



   E o tempo  continua passando...
   E sabe ser severo, com aqueles que o perdem, ou deixam passar uma oportunidade, que sempre o acompanha.
   O tempo... que sempre traz consigo, uma chance de aprendizado e crescimento, de avançar na evolução, e muitas vezes, se escolhe cair no abismo da ignorância, da inércia, do egoísmo absoluto e mergulhar no escuro do vazio que criam em sua própria alma.
   Transformam uma essência pura ou que poderia estar sendo purificada todo o tempo em uma mistura de sentimentos, ações, pensamentos profanos e contrários à lei universal do amor, da caridade, do altruísmo, que poderia ser prática constante do ser, que muitas vezes se perde no direito de escolha, no direito do livre arbítrio, pendendo para suas fraquezas, cedendo, muitas vezes sem contestar ao instinto rebelde, maculado, que fora acumulando pelas mesmas escolhas ao longo de várias existências, tornando cada vez maior o desafio de retornar ao seu estado natural, ser de luz e de pureza, aumentando suas dívidas cármicas, pendências com o semelhante, que nada mais é do que pendencia consigo mesmo, cada um que já foi prejudicado ou prejudicou, assim segue a linha da vida.
   Nosso irmão, ficou por muito tempo naquele hospital espiritual, sua recuperação seria lenta pois talvez assim tivesse tempo de perceber, o quanto havia se jogado em direção à decadência, teria que aprender a amar seu corpo, o mesmo que num momento de loucura tinha destruído.
   Aprender a amar a si mesmo, teria que aprender a amar...
   Desejar com intensidade e paciência o retorno de cada movimento para quando diante de uma nova oportunidade, depois de vasto e profundo tempo de sofrimento que criou, conquistar a força, para resistir através do amor, ao ímpeto ao impulso do instinto que esse espírito adquiriu em seu interior, no decorrer de tantas encarnações incidindo nas mesmas escolhas.
   E que na próxima oportunidade, siga firme determinado, avante na conquista de sua luz de seu crescimento, sem retroceder ou ceder, caminhar os passos de sua evolução.
   Seu último movimento recuperado foi a fala, desejou intensamente, pedir perdão àquela que com zelo e desprendimento, cuidava de suas mazelas.
   Teria que aprender a valorizar o amor no sentido de sua forma mais pura, abnegada livre da posse exclusiva como um dia havia entendido, e que o levara a cometer tal ação.
   Tão contrária às leis que regem a vida.
   Em nome do que denominava amor, ceifou a vida de um semelhante, e a própria vida, tal ato ou escolha só poderia leva-lo ao nível de escuridão tão profunda que um ser em qualquer outra situação jamais conheceu...
   A moça, que na vida passada havia sido namorada de nosso irmão em referencia, ao desencarnar foi acolhida, realmente era espírito, pacifico generoso, foi tratada, recuperada e pouco tempo depois iniciou nova missão, novo caminho, em sua nova etapa de crescimento e evolução, ou sua nova vida, que como podemos ver, continua em algum lugar, e isso depende das escolhas, que tomamos ao longo de nossa existência, ela iniciou seu trabalho como socorrista, sempre cumprindo com desvelo as missões a ela atribuídas. 
   Depois já de muito tempo, foi transferida àquele hospital de dementados e suicidas, logo tomou conhecimento sobre a condição daquele que seria seu "malfeitor", teve permissão para ver o abismo trevoso  onde se encontrava, ao ver o estado miserável em que aquele ser sucumbiu, pediu permissão para que pudesse ajuda-lo a enxergar algo mais do que aquela terrível escuridão que o absorvia.
   Ele ainda não sabia, mais ela não era responsável apenas pelo tratamento diário, pelo alívio das dores monstruosas que sentia quando chegou ali, era ela a responsável pela chegada dele ali, quando resolveu oferecer-lhe ajuda, estendendo-lhe a mão, para tira-lo do abismo através do perdão, a absolvição pelo amor puro e verdadeiro.
   Durante muito tempo, o maior desejo de nosso irmão foi pedir perdão àquela jovem, e o que ele nem imaginava é que foi exatamente o  perdão e o amor desprendido por ela que o trouxe até ali que o ajudou a enxergar a luz na escuridão.
   O amor que ele traduzia em si até aquele momento, ou aquilo que acreditou ser amor, o levou à escuridão profunda.
   Mas foi o verdadeiro amor, o amor abnegado, sem interesse nem posse; 
   O amor do perdão que o regatou das trevas.

Meus agradecimentos à mentora:
Vera Lúcia Pimentel                  
                 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Reverso 'parte 2'

    

   Totalmente envolvido por essa onda de sentimentos, vi muito longe pequenina claridade, era pequeno foco, mais tinha muito brilho, e fixado naquele ponto de luz permaneci durante todo o tempo.
   Já queria sair dali, tinha medo de baixar o olhar e ao retornar não encontra-la mais , há muito não via nada que não fosse trevas, assim fiquei com aqueles sentimentos novos que agora experimentava, e que eram antes desconhecidos, quanto mais fitava aquele ponto de luz , mais aumentava meu desejo de alcança-la, o que haveria alem daquele lugar? 
   Seria uma porta? Uma saída? 
   Só existia uma forma de saber era chegando até lá mas como? 
   Não conseguia me locomover , andar ir de encontro, era apenas o desejo de que alguém me ouvisse, pudesse me conduzir,me levar mas como, estava perdido em algum lugar do meu ser longe de tudo e de todos , ninguém viria e eu ali ficaria eternamente..., entristecia, e assim passei a desejar aquele foco de luz cada vez com mais intensidade, mesmo tendo uma percepção da grande distancia que havia entre meu espaço, e aquele o da luz. 
   O que não percebi é que a minha vontade, o meu querer, me aproximava cada vez mais daquele ponto, daquilo que eu tanto queria.
   Até que lá estava finalmente! O clarão era muito forte para mim, precisava cobrir os olhos, mas não podia mexer as mãos , aquela luz me queimava, precisava me proteger, mas não conseguia me mexer, tudo em mim estava quebrado, e de mim saía apenas um ruído parecido com um grunhido de um animal acuado , machucado, senti como se algo parecido com um lençol foi jogado em cima de mim , diminuindo os reflexos e a intensidade  de tanta luz , que meu espírito entrevado não conseguia suportar.
   Agora conseguia ter melhor percepção das dores monstruosas que sentia , antes o sentimento de obsessão  era maior do que tudo, e quando esse se acentuou, havia criado uma resistência, acostumado a ser e estar assim, mas agora alguma coisa havia mudado o que seria ?
   Tinha agora alguma sensibilidade e as dores eram horríveis tanto quanto devia ser aquele meu estado, senti uma aplicação, algo como algum medicamento , só podia ser pois o alivio já podia sentir, e depois de muito , muito tempo, pude finalmente adormecer..."
   E assim fiquei,  por muito tempo, acolhido naquele lugar, sempre coberto, tinha alguém ali que  sempre vinha e me aplicava os cuidados e depois saía.
   Certa vez ao acordar pude perceber o que estava a minha volta, pude ver pela primeira vez o lugar em que já permanecia há tanto tempo. 
   Minha visão era muito turva, mas tinha alguma percepção visual, aquele lugar era como um hospital, que cuida, restaura, e cura o corpo espiritual, pude então experimentar  um sentimento já há muito esquecido, deixado para traz no tempo, perdido: A alegria.
   Percebi quando entrou alguém, o salão era grande havia outras camas e aquela pessoa passando, um a um até chegar a mim, quando consegui fixar os olhos, não podia acreditar no que achava que estava vendo, não podia ser , estaria tendo alucinações? 
   Aquelas alucinações, deveriam ser drogas muito fortes, e estava me afetando, queria gritar mas em mim não havia voz, fala, só aquele grunhido esquisito, e amedrontado, havia perdido todas as funções do corpo apenas a mente funcionava como se fosse, durante todo esse tempo, ligada sem interrupção a uma fonte que a abastecia, com pensamentos e lembranças.
    E novamente aquela moça, e outro dia, e de novo, e depois , e depois, não restava mais duvidas era ela, ela mesmo. 
   Aquela a quem ceifei a vida, estava ali, continuava serena, como em minhas lembranças seu olhar era terno, procurava para ver se encontrava algum rancor, ou algum sentimento parecido  afinal antecipei o fim de sua vida, era por minha causa que estava ali, mas a cada tempo, ainda mais ternura nos gestos, no olhar. 
   Ela cuidava de todos com dedicação, comigo não era diferente, não era a única que trabalhava ali, haviam outros cada um ministrava um tipo de tratamento, de restauração.
   Quando tive certeza que era ela que ali estava a cuidar de mim, tive muita vergonha, como queria poder falar, para pedir mil vezes o seu perdão, como queria ter os movimentos de meu corpo para jogar-me ao chão, e suplicar que me perdoasse, não era possível, fazia então o único movimento que me era possível; fechar os olhos, diante daquele ser que irradiava tanto amor, esperança, não me sentia digno de encara-la, não antes de me ajoelhar e humildemente pedir-lhe perdão pela minha insanidade egoísta.
   Quanta perda, quanta dor, quanto tempo, um momento de escuridão, no meu espírito ainda encarnado, e esta se perpetuou por longo período em minha existência .
   Minha mente está cada vez mais lúcida, gostaria de levantar desse leito, fazer o que ela faz, cuidar de tantos que chegam como eu cheguei...

   CONTINUA...
   Parte 'final'

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Reverso 'parte 1'

 

     Não são claros meus pensamentos, confuso o meu sentimento, ainda é madrugada, é trágica essa madrugada, será que nunca terá fim?
    É sempre escuro, dolorido, aterrorizante, a agonia toma conta de mim, sou sombra, sou escuridão.
    Já faz tanto tempo, não sei distinguir o que me tornei, por tanto tempo senti a falta dela, e me esgoelei, me contorcendo, me esmagando de dor, a dor de não te-la ali comigo, nem me importava a escuridão do meu ser se ela ali comigo estivesse.
    Quando  soltei de minhas mãos seu corpo ainda quente, porém já sem vida; ela seria minha e de mais ninguém, estaria com ela, iria encontra-la onde quer que fosse, saí correndo, louco, alucinado pulei do alto daquele edifício para encontra-la e encontrei a escuridão.
    Tudo bem está escuro! Mas onde ela está? Não a encontrei!
    Que desespero eu queria morrer, mas não era possível, pois eu já me encontrava nesta condição. 
    Só pensava em te-la ainda que fosse ali naquele abismo.
    Meu tormento nesse período não era a dor que revivi por tanto tempo, a sensação repetida de ter todos os ossos do corpo quebrados, era a obsessão. 
    Não te-la ali comigo sob meu domínio, meu jugo, o vazio era completo, a escuridão contínua, não havia ninguém ali, seria perfeito se ela estivesse comigo, só nós dois, me prendi nesse sentimento tanto tempo  sem perceber que estava enclausurado na minha própria escuridão, fui sendo consumido por mim mesmo.
    Muito tempo havia se passado e já não lembrava mais nada que não fosse aquela escuridão, senti medo de mim mesmo, tinha pavor de estar ali, não havia mais nada à minha volta, não  via nada só escuridão, vazio, um buraco sem fundo e a sensação de estar caindo todo o tempo. 
    Nesta fase já havia perdido a noção de quem  era ou havia sido, não tinha nenhum tipo de discernimento, certo ou errado, bom ou ruim, bem ou mal, nada, apenas o vazio escuro de mim mesmo..."
    E assim já esgotado, conformado por ter me tornado "aquilo", sozinho não teria forças para reagir, ficaria ali eternamente fadado a amargar para sempre a própria existência, mas em algum momento que não sei precisar, voltei a ter pensamentos, eram espasmos de memória, lembranças de um tempo que há muito havia se perdido. 
    Queria te-los a todo instante, afinal para quem estava mergulhado no mais absoluto breu, aqueles instantes que se abriam eram como um passatempo, se pudesse passaria a eternidade na distração dos devaneios, que tais lembranças me traziam. 
    Mas não era eu quem controlava, não vinha quando eu queria, e quando menos esperava, a lembrança de fatos ocorridos em tempo remoto... 
    Depois de algum tempo assim nessa condição, eu esperava esses momentos como uma criança que espera ganhar um doce, e muito tempo se passou...
    Certa vez, ao rever cenas de felicidade abundante; aquela moça...
    Vi logo em seguida imagens de lagrimas, muita dor, separação, desespero era somente meu! Era eu ali!
    Aquela moça estava sempre muito tranquila, e distante de mim, logo em seguida pude ver, havia mais alguém, estava muito ligado a ela era muita dor não podia suportar!
    Essas imagens que vinham como lembranças persistiram se repetindo até que um dia assustadoramente vi minhas mãos, apertando fortemente o pescoço daquela jovem, meus joelhos em cima de suas mãos espalmadas uma de cada lado, joguei todo o peso do meu corpo em minhas mãos e o resultado foi fatal pois a cena posterior era um corpo estendido.
    E por tempos fiquei ligado a esse acontecimento até que consegui enxergar qual foi meu próximo passo aquele que me levara até ali, que me proporcionara atingir tamanho nível de escuridão. 
    Antes não havia percebido, só o que percebia era sua falta, era não te-la comigo, e agora tanto tempo depois tinha contato com o que havia feito, com minhas ações e me remoí e chorei, mas a dor de agora era apenas remorso, culpa, era o peso de algo assemelhado à consciência, mas remorso apenas não era suficiente para abrir a fresta, o cubículo, por minúsculo que fosse de luz naquele universo de escuridão individual e particular, a minha cela, a prisão do meu ser em mim mesmo, e demorou até que eu conhecesse ou descobrisse a chave única que poderia me soltar, e esta não estava em lugar palpável não ao alcance de minhas mãos assassinas,estava em lugar intocável, tão perto e tão distante, essa chave era o arrependimento real, sincero e verdadeiro que custou até que eu o encontrasse, o desejo de reparar o mal feito.
    Antes na fase do remorso, só sabia me questionar, por que havia feito aquilo ? 
    O julgamento de que deveria permanecer ali, merecendo tudo aquilo que havia vivido e muito mais, tudo para aliviar a minha culpa.
    Mas depois com o arrependimento, se pudesse sair dali...
    Se pudesse ter outra chance, pedir perdão...
    Se pudesse compensar todo mal que fizera de alguma forma...

CONTINUA EM ...
Reverso 'parte 2'

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Renovação



Sonho que se sonhava
Encontro na imensidão
Distante se encontrava
Devaneios de ilusão

Viagem aventurosa
Cheia de forte emoção
Viver poesia e rosa
Soluço amargo de solidão

Ser intrigante buscava
Distante...Sublimação
Dentro de si tudo estava
Força amor atração

Portais ensolarados...
Tempo de renovação
Consciência iluminada
Revelando a direção

Aura em cores clareada
Dissipando a escuridão
Era luz anunciada
Pulsa leve o coração

Alcance deleite elevação
Intensa busca almejada
Harmoniosa conspiração
Aliviada respira a alma...


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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Existir



Existir


Fagulha de luz brilho latente
Semente que se faz germinar
Erros e acertos frequentes
Força que ajuda continuar

Segue em passos espalmados
Busca encontrar um caminho
Por vezes tão desanimado
Pensando achando estar sozinho

Encontros desencontros vai-vem
Subidas e descida curvas torta
Além do horizonte sempre tem
Esperança luz no túnel uma porta

Que abre e fecha sem cessar
Luzindo interna chama brilhando
A espera de que venha adentrar
Tomar posse do que vem procurando

Horizonte que parece distante
Engana o olhar do aspirante
No interior é que jorra a fonte
De força luz poder incessante

Existir viver ser estar
Elo divino a fluir, pulsar
Feito à imagem e perfeição
Inspiração maior em criação

Sou tudo de melhor que há no universo.
Penso, sinto, existo.
Sou dona do meu universo.

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Rebeldia 'parte final'


   Fiquei por muito tempo, estancado no mesmo lugar, não pude ver quando a luz do arrependimento brilhou naquele lugar.
   Ali bem próximo de mim, algo tão belo aconteceu, um clarão acolhedor, resgatou aquele ser, que clamava por perdão e eu nem pude perceber.
   Ao ver que estava sozinho, em companhia da bala em meu peito, o vazio me ensurdecia, eu queria uma explicação, alguém pode me ouvir, a vitima aqui sou eu, alucinado esbravejava, não conseguia compreender, socorreram meu assassino e vão me deixar morrer.
   Não quis em nenhum momento aceitar minha condição, morto já há muito tempo, porém não tinha aceitação.
   Na ira e rebeldia me arrastei por longo tempo, indignado, era muita dor em mim, abandonado me senti, totalmente sem forças desmoronei ao chão, caí em sono profundo, adormecido, por muito tempo, permaneci.
   Ao acordar ainda no mesmo lugar, tinha à minha volta um clarão que me era familiar, por muitas vezes aquela luz visitou aquele lugar.
   Antes para mim um breve reflexo fundido à escuridão, que não dei importância alguma nem me chamou a atenção.
   Meus amigos um a um foram sendo resgatados, ao aceitarem sua condição, todos eles foram tratados.
   Agora em minha frente o clarão se repetia, em pé diante de mim, eram braços que se estendiam.

   Um instante de lucidez e eu pude reconhecer, aquele casal... Também foram socorridos! Só eu fiquei a sofrer... Seguraram em minha mão, e ouvi o som terno da voz suave a dizer “aqui estamos viemos te socorrer”.
   Fui levado a um hospital, onde fui acolhido por amigos, que vibravam e me envolviam em amor, iniciado tratamento prolongado, pois meu estado de rebeldia ainda se perpetuava.
   Muito tempo ainda se passou, até que conseguisse entender, e aceitar que estava presente naquele dia fatídico e que todos os envolvidos inclusive eu teve de forma rápida seu desligamento, passagem ou morte como queiram.
   E que cada um foi resgatado, à medida da aceitação à sua nova condição, à abertura que deram ao conhecimento dos fatos.
   E que por puro apego à vida terrena, vida que hoje sei era passageira, mais ali naquele momento não quis aceitar, por apego escolhi, reviver aquele momento por muitas vezes, na ilusão de que iria dormir, e ao acordar tudo seria diferente, e como não podia deixar de ser o fato se repetia, e nessa ilusão permanecia, até que um pranto de arrependimento, me tocou, mesmo que eu não percebesse, me permitiu ter consciência parcial do estado em que me encontrava.
   Muito trabalho ainda à frente, a partir daquele momento, corrente de perdão e amor, força que iluminou a dor, a “vítima” amou o “algoz” que ao sentir esse amor, clamou por perdão, que refletiu e clareou, aquele outro que também “vitima” se tornou, e na escuridão navegou, mas agora se libertou.
   E assim flui o amor, em sua forma mais pura, não há vitima e nem algoz,todos somos aprendizes, frequentando a mesma escola, na dor, no amor, no espinho ou na flor, na alegria, na lágrima...
   Não somos filhos do acaso, temos rumo certo direção a seguir, quando um ciclo se fecha outro se inicia, vida é morte, morte é vida, apenas transição estágios de conquista, no aprimoramento do divino, partícula contida, muitas vezes escondida, mas presente em cada ser.

Meus Agradecimentos a Mentora,
Vera Lúcia Pimentel.


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Rebeldia Um conto... 'parte 1'

"

   É cedo, acordo assustado, ouço estampido em meus ouvidos, é ensurdecedor, levanto às pressas corro ainda meio atordoado, abro a porta de meu quarto e a cena que vejo, me deixa prostrado, jogados ao chão dois corpos deitados.
   Muito se amaram em vida, agora morriam entrelaçados.
   No corredor eu vi a cena, apareceu um cidadão, ele estava agitado, e tinha uma arma na mão.
   Assustado permaneci, pensei que fosse um ladrão, até ouvir aquele homem gritar: “ estou lavando minha alma! Acabou ”.
   O descontrole era evidente, tiros ele ainda disparava, os gritos e a correria dos hóspedes daquela pensão, mostravam que a tragédia ainda não terminara.
   Vi com as pernas bambas, e os olhos turvos, aquele homem provar o sabor, de uma bala que saiu da arma que ele próprio empunhava.
   Depois disso adormeci, o tempo passou sem que eu pudesse perceber, e quando acordei ainda estava ali, assistindo a mesma cena, tantas vezes a se repetir.
   Acordava e dormia sempre da mesma maneira, estagnado aceitei aquela cena rotineira.
   Até que ao acordar novamente, depois de muito tempo, algo estava diferente, não eram dois corpos no chão era um corpo somente.
   E aquele homem continuava, esbravejando sua fúria, repetindo o tempo todo, o excesso de sua loucura.
   Prostrado permaneci, plasmado naquele lugar, preso naquela confusão não conseguia me soltar.
   E de novo ao acordar, algo me chamou a atenção, onde estava o outro corpo, não estava mais no chão.
   Alheio permaneci , preso apenas em mim, dormia e acordava, assistindo o mesmo fim.
   E o louco que esbravejava, um dia caiu prostrado, inerte permaneceu, amargando contínuo pranto, de sua cabeça pude ver , muito sangue escorria, mas o grande choque foi descobrir, que a bala que o perfurou, só veio depois da minha.
   Levei minhas mãos em meu peito, e molhadas estavam minhas mãos!
   E vermelho era o fluido que escorria até o chão.
   A fúria agora era minha, a loucura tomou conta de mim, queria a todo custo, enfrentar a quem me atingiu, antes furioso, agora inerte sofria mas seu sofrimento não me comovia, por que não se levantava e eu o mataria.
   E assim tudo se repetia, porém envolto em ódio agora eu não mais dormia, vivia continuamente, a força da rebeldia, parado com as mãos no peito, amargando minha agonia...


CONTINUA...
Clique no link 'parte final' 

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Amanhece ...






De novo é raiar do dia
É vida que se anuncia
Luz em brilho de alegria
De estar vivo... É magia!

Descobrir a cada momento
Mistérios no sentimento
Deslizes de pensamento
Trabalho... Melhoramento

Busca inteira incessante
Almeja ir além... Adiante!
Encontro conquista amante
Perdido vencido errante...

Tudo tende caminhar
Na mesma direção
A força que move o pai
Move a mãe e o irmão

A escolha é que difere
O caminho, da contramão
Bom seria com ouvidos da alma
Sentir a voz do coração 

Lindo nasce o dia a brilhar
Nele páginas de vida
Inevitavelmente a publicar
Impresso, expresso, feito.

Não dá mais pra voltar
Que o nascer do novo dia
Seja inteiro para amar
Sem conhecida amargura;

Sofrer, lamentar, consertar...

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

À margem 'parte final'



    Tive durante todo o tempo em que estive hospitalizado, muitas conversas com aquele senhor, esclareceu me sobre tantas coisas, passou a ser o  meu mentor, aquele que me ensinava, e me tratava as feridas
    Com tratamento gradativo, evoluí naquele meu quadro, a depressão se foi, as dores também , sentia me tão bem que se algum dia já havia sentido me assim não me recordava.
    E chegou o dia em que já não necessitava ocupar aquele leito, uma parte do trabalho comigo já havia sido concluído, terminaria minha recuperação, agora em outro lugar, tinha muito mais para aprender, o lugar que eu ali ocupava já aguardava outro irmão, doente do coração, viveu e sofreu, achou que foi em vão, ali como eu chegaria seguro pelas mãos.
    E aquele belo trabalho sempre continuava, com a partida, a chegada, e mais um, aquele leito sempre esperava.
    No lugar para onde eu ia não era diferente, ao meu chegar alguém partia, na linha que nos leva sempre em frente.
    Nesse momento eu partilhava dois sentimentos inversos; triste por deixar aquele lugar tão acolhedor, todo amor, cuidado que recebi, mas ao mesmo tempo havia uma felicidade que tomava conta do meu espírito, por saber que alguém como eu ali chegaria, seria tratado e assim como eu feliz estaria, os trabalhadores daquele lugar esboçavam felicidade, por poder doar amor, energia de cura a tantos necessitados, deixa-los prontos, preparados para seu próximo aprendizado.
    Após longo abraço de agradecimento à todos daquele lugar, fui levado pra iniciar , novo tratamento, hora de recomeçar, aprendizado moral , elevação pro meu ser, meu espírito ansiava, o avançar da caminhada, por algum tempo estacionada.
    Nessa nova oportunidade, aproveitei com intensidade, li e aprendi, absorvi ensinamentos, e depois de algum tempo, trabalhei em vários setores, ajudando recém-chegados, permaneci alcançando gradualmente meu aprendizado, já tinha consciência de muita coisa a respeito do meu ser, a responsabilidade, o compromisso de oferecer em missão de trabalho todo amor que recebi.                                  
    Assim está o universo a se mover, girar, sempre em sentido horário, em frente, avante além do tempo...
    Pleno em riqueza, imenso;
    Infinito...

Meus agradecimentos à mentora,

  Vera Lúcia Pimentel.   


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À margem 'parte 3'




    Ao acordar do ultimo sono que tive ainda encarnado naquele corpo sofrido e doente, tive uma grande surpresa , no lugar onde acordei tudo era absolutamente alvo.
    Mas não era só isso as pessoas que por ali circulavam, irradiavam um reflexo iluminado, e apesar das dores que eu ainda sentia , percebia que aqueles reflexos também me alcançavam, me envolviam, e a sensação que experimentei em meu peito, era até então desconhecida para mim.
    Na lembrança do tempo de minha existência, não tinha recordação de ter vivenciado tão genuíno sentimento, tão leve sensação, o que eram aquelas terríveis dores que me acompanharam, diante de tão suprema sensação de amor que se espalhava por cada espaço daquele lugar, fiquei extasiado com a surpresa, enquanto continha as minhas dores, não conseguia pensar direito, onde estava, que lugar era aquele, como e por que fora levado até ali?
    Pude perceber que tinha ali muitas camas e eu ocupava uma delas .
    Quando finalmente consegui pensar no que poderia ter acontecido, teria eu morrido? 
    Um senhor de cabelos e barba brancos, de feição totalmente amorosa como quem tivesse conseguido decifrar a expressão do meu pensamento, consentiu com a cabeça em movimento afirmativo, e em um tom extremamente acolhedor disse que eu já não estava entre os encarnados, que eu continuava vivo pois o espírito é eterno, mas que meu corpo físico já não existia mais, que as dores que eu ainda sentia, eram agora do meu espírito.
    Que apesar do arrependimento e do anseio por socorro e por perdão, diante dos meus atos e atitudes cometidos, havia ficado por muito tempo a mercê da vingança daquela de quem eu havia ceifado a vida, e de muitos que por motivo semelhante também tiveram suas vidas tiradas, essa legião de espíritos rebeldes, agora desordeiros, vingadores, dominados pelo ódio tinham naquele ambiente de prisão lugar onde passei muitos anos de minha vida, o cenário perfeito para se alimentarem, e fomentarem ainda mais seu ódio, obsediando , incitando, induzindo aqueles detentos momentaneamente desprovidos de sua consciência original distantes de sua centelha divina, de sua essência interior, de amor, a qual cada ser foi criado, inclinarem-se a praticarem ainda mais ações contra a lei do amor e da fraternidade.
    Esclareceu-me aquele senhor, que meu corpo físico havia adoecido pelos abusos e torturas sofridos no decorrer daquele tempo, mas meu espírito durante muito tempo corroído pela culpa e pelo remorso também foi enfraquecendo, e estava também muito adoecido, mas através do arrependimento  real que passei a sentir havia alcançado o socorro tão aclamado.
    E assim logo após ser desligado do corpo físico recebi ajuda e socorro, do contrário teria permanecido naquela prisão mesmo após o desencarne, e me tornaria prisioneiro de vingadores desencarnados, acusado e condenado ainda por aquela moça, a continuar sendo torturado por tempo indeterminado.
   "Assim ela determinou, ela que permanece em posição de comando desde que o acompanhou até aquele presídio,quando foi preso por assassina-la.     Sua posição ela conquistou graças a todas as atrocidades que cometeu, comanda um grupo de espíritos perversos, não quer ajuda, não quer avançar nem evoluir, e está furiosa por termos lhe tirado de lá dos domínios dela...
    Mas por hora já basta, chegará o momento de saber mais, agora já sabe que foi socorrido e que está em um hospital espiritual, preocupe se com sua recuperação, tenho medicamentos para você, provavelmente durma por mais algum tempo, e nesse momento acredite vai lhe fazer muito bem. "
    Ele aplicou o medicamento na região do antebraço, eu já estava acostumado a aplicações, ele pediu licença e se retirou.
    Por mais que houvesse em mim certa inquietação, aquele ambiente tinha uma energia, que me harmonizava, apesar da sensação de estar fora da realidade, ou pelo menos, a realidade à qual estava acostumado, tinha medo do desconhecido, mas não rejeitava aquele momento, ao contrário consegui me sentir feliz por estar ali, depois de um tempo as dores cessaram e eu adormeci...

CONTINUA...
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À margem 'parte 2'




    Tive tempo de sondar toda rotina daquela que agora para mim não passava de uma meretriz, mulher suja, sem valor, mas que estava impregnada em mim com seu cheiro, e tudo mais que nela havia.

    Mas estava decidido, ela não iria continuar com aquilo, não servia mais para mim, nem para o mundo, não iria mais viver.
    E então finalmente o dia em que no regresso, depois de uma noite possivelmente agitada por homens bebidas e muita musica, que alimentava com requintes cruéis o meu pensamento, fiz a abordagem. 
    Consegui arrasta-la àquele ponto que havia se tornado palco da minha dor, com ela amordaçada, depois de muito esbofeteá-la iniciei a violência que naquele momento para mim era néctar de suave doçura, teria que possuí-la, ainda que desfalecida, indefesa.
    E assim o fiz como um louco, para logo depois em um desvario  de loucura entregá-la de presente àquele que foi meu único amigo, meu confidente fiel, pois ouvira e vira tudo em silencio, e como grande amigo a receberia mesmo suja como era, a levaria embora para sempre, me ajudaria a livrar me daquele doce demônio que me avassalou o viver, e ainda cuidaria de mim lavando me o corpo, como a limpar também as impurezas impregnadas na minha alma com aquele ato de insanidade profunda, profana.
    O desrespeito com aquele ser que tinha o direito de se afundar, o que não dava a quem quer que fosse o direito de afunda-la, tirar lhe a vida, submergir seu corpo, mesmo assim eu fiz, rolei-a rio abaixo amarrada sem defesa e assisti por breves instantes, saciado, seus últimos instantes de vida.
    Vida que eu sem perceber muito antes dela, já havia deixado de viver, sim eu ainda respirava o ar, ainda sentia o sangue pulsar em minhas veias, ainda possuía um corpo, que já há muito tempo não prezava, ou aliás desprezava com muita intensidade , ser , estar , viver nada mais tinha sentido, estava louco perdido em mim mesmo, a imagem dela a me perseguir a voz a gritar em meus ouvidos:
    Assassino... Tentava me afastar daquele lugar mais voltava sempre, lá estava eu acorrentado ao crime que havia cometido, e como não podia deixar de ser, acabei sendo em pouco tempo, preso ali mesmo no local do meu delírio, acusado e condenado pela lei e justiça terrena.
    Até ali ainda não sabia , mas não fui sozinho lá estava ela comigo, se encarregando de que todos soubessem o que eu havia feito com ela, em todos os detalhes, em muitos momentos, obsediado totalmente sem controle dizia , descrevia como as coisas aconteceram.
    As consequências foram catastróficas, pois passei a ser perseguido, e por muitas vezes torturado , e como ela também amarrado e violentado por muitas e muitas vezes, os requintes de crueldade eram bizarros, não posso descrever com detalhes os acontecimentos aos quais fui submetido por longo tempo, já não suportava mais tamanho sofrimento, pedia a morte não era mais dono do meu corpo, nem de mim, era propriedade de todos que quisessem, e nada podia ser feito, e diante do inevitável meu corpo adoeceu, meu espírito já estava doente há muito tempo pela dor, o ódio, o rancor e toda sorte de sentimentos ruins que alguém poderia permitir carregar, e agora o meu corpo físico experimentava os primeiros sinais de deficiência causado por aquele vírus adquirido na exposição e prática dos abusos contra ele cometidos.
    Como se sabe quem se tornava soropositivo, naquele tempo era além de muito discriminado, praticamente desenganado pois os recursos nem de longe se chegam próximos aos dos dias atuais.
    E assim considerado como doente incurável, e com o corpo totalmente debilitado, sofri muito com doenças infecções que não se curavam o tempo passou e um dia abandonei aquele corpo em meio a um sono que não sei precisar quanto tempo durou.
    Só sei que me libertou daquele sofrimento , da prisão terrena, da prisão do espírito, pois aquela que pela dor, revolta, e pelo ódio se tornou a minha obsessora, e nessa vibração passaria a eternidade em vingança contra mim numa frequência de ódio que todo sofrimento possível e existente não aplacaria sua sede de vingança eu porem nesse estagio já quebrado pela dor por todo sofrimento a que fui subjugado e submetido, e agora finalmente abatido pela doença , tive tempo de ouvir a voz do arrependimento gritando dentro de mim em minha alma, que agora também gritava por socorro , pude ainda em vida, através da dor e da doença conviver por dias a fio com a presença da morte que a cada dia era mais real , e me apavorava, sem saber que toda essa dor me ajudaria a me libertar, das prisões do corpo e da alma meus últimos dias encarnado na terra se encerrou na enfermaria de uma prisão, um lugar frio, sombrio, gélido de amor...

CONTINUA...

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À margem Um conto 'parte 1'

  


     Estava sentado à beira de um rio, próximo à uma zona de meretrício, de um lado o chacoalhar leve das águas, em contraste com a balbúrdia que se contrapunha em outra parte.
    Com as águas corriam meus pensamentos, os sonhos acompanhados de profundo sentimento, e vinham as lágrimas para compor conjunto de elementos que vazavam e escorriam de minha alma, perturbada que buscava nas águas mansas e escorregadias, desesperadas gotas de consolo e alento.
    Estava acabrunhado, via me encolhido diante de mim, estaria enlouquecendo ou ainda não sabia que já estava enlouquecido, querer fulminar alguém que já me havia fulminado, era apenas a troca justa de uma ofensa que me estraçalhou por inteiro, não sou mais eu, não sei quem sou, quero apenas saciar minha sede, aplacar aquele sentimento que me secava a garganta e a boca, me acelerava o peito; a afronta que gritava em mim a furar-me os tímpanos.
    Aquele leito de águas mansas era, durante todos os vários dias e muitas horas que passei ali, premeditando minha vingança, a testemunha do crime bárbaro que finalmente, como quem toma um copo de água gelada em tempo quente, com esse mesmo prazer, saciei minha Sede de vingança.
    Era ela em tempo não muito distante, ainda minha amada, com ela e por ela fui do limite do prazer ao extremo da dor ao exercício da brutalidade e selvageria, a tive em meus braços, me jurando amor eterno, para vê-la tempos depois no regaço de outros homens no deleite de prazeres profanos.
    O tempo preciso para que eu me entregasse com tamanho desequilíbrio e me embriagasse perdidamente nesse sentimento que insanamente denominei amor, somava três curtos meses que se transformou em um arrastado e intenso martírio.       Ouvir que ela não me queria mais, já era dor demais para eu suportar, me sentia totalmente arremessado a um canto como uma bola murcha, o sentimento corrosivo de humilhação me feria e sangrava e diante de tentativas frustradas de tentar reverter aquele caso perdido, cada não que recebia era como um punhal fincado em alguma parte vital do meu ser, pois já nem sabia mais onde doía, e me tornei obcecado, já não trabalhava, não comia, vivia a espera-la .
    Então resolvi segui-la, e fiquei paralisado ao entender o que havia acontecido, então era isso!
    Aquela casa! Muitos homens e muitas mulheres, grande movimento entrada e saída, ambiente frenético de libidinagem grosseira, desenfreada, então era assim que ela se entregava aos homens, por dinheiro?
    Não sei de quanto tempo precisei para voltar ao raciocínio, a partir de então sentia que as trevas se tornava o meu lar de cada dia, todos os dias a uma certa distancia acompanhava seus passos e deixava crescer o terror dentro de mim, e enquanto ela se entregava à lascívia profana , ao abuso de sua beleza e sensualidade, eu gotejava a minha dor à margem daquele que silencioso testemunhava tudo ...

CONTINUA...
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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sentindo luar
















Ouço tilintar
Luzes no espaço
Pedaços esparsos
Canto a bradar

Brado de alegria
Entoado pra aliviar
Magia solta no ar
Destoa a agonia

O luar acalma
Busca de encontrar
Reunir pra juntar
Pedaços de alma

Brilho perdido
Há muito procurado
Só agora encontrado
Reluz o sentido

Tilintar de encanto
A vibrar nos ouvidos
Sentidos expandidos
Abraço de acalanto


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